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Ainda há motivos para comemorar o Dia do Médico

Atualmente, no meio médico, muito se fala em crise na saúde, precárias condições de trabalho, má remuneração, formação deficiente, deterioração da relação médico-paciente e falta de autonomia profissional. Com todas as dificuldades da profissão, ainda há motivos para comemorar o Dia do Médico? A SOMERJ acredita que sim. Para responder a essa e a outras perguntas, convidamos o cirurgião plástico João Medeiros, que atua na cidade de Petrópolis.

Formado há 22 anos, pela Faculdade de Medicina de Petrópolis, João Medeiros mostrou que a profissão ainda oferece muitas coisas boas, não somente para o paciente, mas também para o médico. Mais do que isso, ele mostrou que, mesmo num mundo “selvagem” como o nosso, onde a sobrevivência é inevitável, ainda existem coisas mais importantes, como a relação humana e a ajuda ao próximo.

Associação Médica em Revista – Por que o sr. escolheu Medicina e a especialidade de cirurgia plástica?
João Medeiros - Desde pequeno, eu dizia que seria médico. Também sofri grande influência do meu tio, que é cirurgião plástico. A admiração profissional pelo meu tio foi um fator importante, mas gostar de lidar com o ser humano também influenciou bastante. Em relação à especialidade, é gratificante poder melhorar o aspecto da pessoa, contribuindo não somente para a melhora morfológica, mas também para a emocional. Isso acontece tanto na cirurgia plástica estética, quanto na reparadora, pois o paciente se sente re-integrado fisicamente e no convívio com as outras pessoas.

SMR - O que o sr. considera importante na relação médico-paciente?
JM - Primeiro, é preciso gostar de ser médico, gostar de cuidar. Segundo, é ter prazer em ver a melhora do paciente. Em qualquer especialidade, o paciente vê o médico como alguém que pode ajuda-lo num momento difícil. A relação médico-paciente deve estar baseada na confiança e na sinceridade.

SMR - O que é necessário para ser um bom médico, bem sucedido?
JM - O médico tem que estar cientificamente atualizado, sempre tentando oferecer o melhor possível ao seu paciente. Hoje, a ética é fundamental, tanto com o paciente, quanto com o ambiente em que se vive, não somente no meio médico, mas na sociedade como um todo.

SMR - O sr. se sente realizado profissionalmente?
JM – Eu me sinto muito bem como médico, mas existem muitas coisas que eu ainda gostaria de fazer. O meu atual projeto diz respeito à parte acadêmica. Este ano, acabo de fazer mestrado e quero começar a lecionar. Passar ensinamentos e conhecimentos para outras pessoas, direta ou indiretamente, é uma coisa que eu gosto muito de fazer.

SMR – Na sua opinião, o médico ainda tem motivos para comemorar o seu dia?
JM - Claro que sim. A Medicina é uma grande profissão, em que o médico se realiza bastante e passa muitas coisas boas para o paciente. A Medicina e os médicos ainda têm muito a descobrir sobre as doenças e a ajudar as pessoas. Mesmo em relação às dificuldades, o médico tem que continuar brigando para resolver os problemas e mudar essa situação. É uma profissão que vale tanto a pena que, inclusive, eu gostaria que as minhas filhas, que hoje estão com 6 e 9 anos, seguissem a carreira para que eu pudesse mostrar a elas tudo o que eu aprendi. Para mim, Medicina é uma das minhas razões de viver. Eu não saberia, nem gostaria, de fazer outra coisa, que não fosse Medicina.

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