Associação Médica em Revista
  Ensino Médio

Crise no ensino compromete formação médica

O ensino médico no Estado do Rio de Janeiro tem enfrentado momentos de altos e baixos. Algumas faculdades de Medicina prestam ensino de qualidade e os alunos, por terem passado por métodos de seleção muito rigorosos, respondem muito bem às exigências de aprendizado. No entanto, existem faculdades que nem hospital universitário tem. Dentro desta realidade, o que preocupa ao CREMERJ é que o ensino de má qualidade vai influenciar diretamente no mau atendimento à população e, conseqüentemente, no aumento da incidência de erro médico e de processos ético-profissionais.

Segundo o Conselheiro Rui Haddad, Vice-Presidente e Coordenador do Programa de Educação Médica Continuada do CREMERJ, hoje, ao invés de melhorar as perspectivas do ensino médico, o que se constata é uma piora cada vez maior.

- O Hospital Universitário Pedro Ernesto, da UERJ, se encontra em estado deplorável, por falta de verbas. O Hospital Universitário Antonio Pedro, da UFF, está passando pela mesma grave situação e não tem condições de fazer atendimentos mais complexos. O Hospital Gaffrée & Guinle, da UNI-RIO, também sofre de uma crônica falta de recursos e de materiais. O Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, da UFRJ, que estava um pouco melhor e conseguia se manter mesmo com dificuldades, há um ano, vive uma fase crítica, devido, principalmente, aos gastos com contratação de pessoal, uma vez que o governo federal adotou uma política de não realização de concursos públicos para preencher as vagas dos profissionais que se aposentaram ou faleceram – relatou.

Rui Haddad ressaltou que, há três anos, o CREMERJ vem realizando o seu Programa de Educação Médica Continuada, oferecendo cursos de reciclagem, como uma contribuição do Conselho para ajudar a classe médica na sua formação.

- Promover educação médica continuada não é finalidade precípua do CREMERJ, mas temos como papel a busca da qualidade do exercício da Medicina. Sabemos que o Programa de Educação Médica Continuada não substitui o ensino no hospital, pois o conhecimento mais importante e relevante para a formação médica é o adquirido no treinamento em serviço. No entanto, achamos que temos a responsabilidade de orientar o profissional para a boa prática médica. Esse ano, o nosso programa inicia no mês de março, com cursos de reciclagem nas áreas básicas de clínica médica, cirurgia geral, pediatria e ginecologia e obstetrícia – afirmou.

De acordo com Rui Haddad, atualmente, no Estado do Rio, a Medicina privada em alguns casos dispõe de tecnologia superior à Medicina universitária. Ao contrário do que acontece nos países desenvolvidos, em que a Medicina universitária dita as normas e os avanços técnicos para a Medicina privada.

- Nos países do Primeiro Mundo, se existe um equipamento novo para ser testado clinicamente, esse aparelho é primeiro disponibilizado nas universidades. Depois da validação da universidade, o aparelho é divulgado para os hospitais particulares – comentou.

No Brasil, acrescentou o Conselheiro, o hospital universitário tem sido o último a receber tecnologia de ponta, que é validada na experiência internacional. Geralmente, os hospitais universitários levam alguns anos para adquirir um equipamento de ponta, o que mostra que existe infelizmente uma grande defasagem entre a evolução da tecnologia e seu emprego no hospital universitário.

- Nas nossas universidades públicas, temos recursos humanos de alta qualidade, mas que trabalham hoje em condições tecnológicas inferiores ao que se pode oferecer aos pacientes. Assim, a troca de informações entre as instituições privadas e as públicas é possível, pois há professores que militam nas duas esferas e que podem levar o conhecimento mais atual aos alunos de graduação e pós-graduação das universidades – avaliou.

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