Estado do Rio tem
a maior incidência de tuberculose do país
Segundo
dados do Programa de Controle da Tuberculose da Secretaria
Estadual de Saúde, atualmente, o Rio de Janeiro apresenta
a maior taxa de incidência de tuberculose no país,
com um coeficiente de 104 por mil habitantes. Enquanto que
o Brasil tem uma incidência de 48 por mil habitantes.
O coeficiente de mortalidade no país é de
3,5 por 100 mil habitantes, enquanto que no Rio de Janeiro
é de 6,47. Esses e outros dados foram apresentados
pela médica Lia Selig, Coordenadora do PCT/SES/RJ,
no dia 27 de janeiro, em reunião realizada com a
SOMERJ, o CREMERJ, as Sociedades de Pneumologia e Tisiologia
– Brasileira e do Estado do RJ - e o Centro de Referência
Helio Fraga.
De acordo com Lia Selig, o número de casos de tuberculose
no Brasil, estimado pela OMS é de 124 mil, enquanto
que o número de casos notificados é de aproximadamente
79 mil, o que significa que existe um número enorme
de casos que não são tratados e, por isso,
permanecem contaminando as pessoas e transmitindo a doença.
- Em relação à tuberculose, o Brasil
está na mesma situação de países
como Congo, Etiópia, Paquistão e Afeganistão.
Entre os 22 países, onde estão 90% dos casos
de tuberculose do mundo, o Brasil está em 15º
lugar e tem a mais baixa implementação de
estratégias consideradas ideais para o controle da
doença, as chamadas DOTs. A nossa situação
é lamentável, se considerarmos que o Índice
de Desenvolvimento Humano (IDH) desses países é
muito baixo, se comparado ao nosso – afirmou.
Lia Selig ressaltou que alguns dos motivos que levaram o
Estado do Rio à grave situação foram
a desorganização do sistema de saúde;
o relaxamento nas medidas de controle; a falta de coordenação
na área de tuberculose no Estado, durante muitos
anos; o fato do Estado do Rio ter a mais alta densidade
demográfica das Américas, o que facilita a
proliferação da doença; deficiências
no sistema de informação, que impossibilitam
a confiança nos dados em relação à
cura e ao abandono do tratamento; e outros problemas.
Segundo a Coordenadora do Programa de Controle da Tuberculose
da SES/RJ, para o controle da doença, é fundamental
o cumprimento das normas do Ministério da Saúde
para que o atendimento e o tratamento sejam homogêneos.
- As DOTs dão certo, mas nós sabemos que a
boa relação médico-paciente é
essencial para combater a doença. Outra medida importante
para o sucesso do programa é a valorização
profissional – comentou.
Apesar dos dados bastante preocupantes, acrescentou Lia
Selig, há três anos, foi implantado no Estado
do Rio um plano de intensificação do controle
da tuberculose, que vem priorizando a capacitação
dos profissionais, a qualificação dos laboratórios,
a distribuição dos medicamentos e o funcionamento
do sistema de informação. Mesmo com todas
as dificuldades, já podemos constatar melhorias em
alguns municípios.