CREMERJ propõe
medidas para conter crise na saúde pública
Há
muito tempo, o CREMERJ vem propondo e cobrando soluções
para a constante crise que vem assolando a saúde
pública no Estado do Rio de Janeiro, principalmente,
no que diz respeito ao atendimento de emergência.
Hoje, a situação das emergências coloca
em risco os pacientes, inviabiliza o trabalho médico
e prenuncia o colapso do sistema público.
Durante o mês de novembro, a diretoria do CREMERJ
se reuniu com as autoridades da área de Saúde
no intuito de alertar sobre a necessidade de se tomar medidas
urgentes para evitar o colapso da rede pública no
verão. Em reuniões realizadas com o Subsecretário
Municipal de Saúde, Mauro Marzochi, e com o Secretário
Estadual de Saúde, Gilson Cantarino, o Conselho entregou
um documento destacando as principais demandas da rede pública
e sugestões de medidas a curto prazo para que as
emergências melhorem o atendimento.
Nas reuniões, a Presidente do CREMERJ, Conselheira
Márcia Rosa de Araújo, mostrou-se preocupada
com a “paralisia” dos três níveis
de Governo diante do quadro caótico e com as conseqüências
do mesmo para médicos e pacientes.
- O CREMERJ não vai assistir de braços cruzados
ao colapso da rede pública. Mesmo com todo o trabalho
desenvolvido pelo Conselho na área de emergência,
não vemos vontade política das autoridades
em resolver os problemas. Algumas medidas pontuais foram
tomadas, mas ficaram aquém das necessidades –
afirmou.
Por pressão do CREMERJ, continuou Márcia Rosa,
a Prefeitura já tomou providências em relação
a recursos humanos e anunciou que vai abrir, em janeiro,
inscrições para concurso público, oferecendo
2.158 vagas na rede municipal de saúde.
Márcia Rosa afirmou ainda que o CREMERJ recebeu informações
de que as operações eletivas nos hospitais
públicos municipais estão suspensas até
março por absoluta falta de verbas. Unidades importantes,
como Salgado Filho, Maternidade Fernando Magalhães,
Andaraí e Souza Aguiar, estão em situação
de alerta por falta de recursos materiais.
O
documento, entregue pelo o CREMERJ à SMS, apontou
para a abertura de leitos de retaguarda para desafogar a
porta de saída das emergências e ressaltou
que deveria haver abertura de leitos de clínica médica
na rede própria, assim como na conveniada.
- O CREMERJ é a favor da contratação
de leitos para cuidados prolongados, com controle e avaliação
permanentes. Segundo dados do DATASUS, em 1996, havia 3.354
leitos contratados para cuidados prolongados. Em 2001, eram
930. Desde então, esse número não sofreu
acréscimo significativo – relatou a Presidente
do CREMERJ.
Para o CREMERJ, também é preciso priorizar
o término das obras da emergência do Hospital
Salgado Filho, abrir o centro cirúrgico do Ex-PAM
Irajá e priorizar a finalização de
reformas que contemplem a emergência nos hospitais.
Segundo o documento, a otimização do funcionamento
dos PAMs, reforçaria o atendimento e tiraria o paciente
não emergencial da fila da emergência.
Quanto à rede estadual, o documento do CREMERJ enfatizou
a necessidade de abertura urgente de leitos de retaguarda
para as emergências, principalmente de clínica
médica, utilizando andar ocioso no Hospital Albert
Schweitzer, com capacidade total de 240 leitos, e no Hospital
Getúlio Vargas, com capacidade total de 100 leitos.
Assim como, a abertura de serviços de neurocirurgia
e cirurgia vascular, devidamente equipados, nos Hospitais
Pedro II e Carlos Chagas; a aquisição de equipamentos
para a oftalmologia e otorrinolaringologia da emergência
dos hospitais estaduais; e o funcionamento o tomógrafo,
já instalado, do Hospital Carlos Chagas.
- Em relação ao atendimento de emergência
na Baixada Fluminense, a Secretaria Estadual de Saúde
deveria priorizar o término de obras ou implantação
de serviços nos Hospitais de Itaboraí, Araruama
e Nilópolis, uma vez que, hoje, os Hospitais da Posse
e de Saracuruna trabalham sobrecarregados – considerou
Márcia Rosa.