Associação Médica em Revista
  Central Médica de Convênios

Comme d’habittude - será como sempre ou como nunca?
Marcos Sarvat - Vice-Pres. da Central Médica de Convênios e Secretário-Geral da SOMERJ

Em 2004, os planos voltam a agir, mantendo ativa a tão tradicional (após 30 anos) e memorável, quanto discreta, chibata do descredenciamento. Planos e seguradoras estão enviando a indefectível mensagem dispensando os serviços de determinados profissionais, conforme reza o artigo tal do contrato firmado por V.S., por motivo de redimensionamento da rede assistencial credenciada/referenciada, e agradecemos a atenção dispensada... e dane-se o seu direito ao acesso da clientela e ao livre exercício de seu ofício.

 Surge a pergunta que a Central Médica não deixa e nem deixará calar: seremos solidários com os descredenciados pingados e intermitentes ou só nos importaremos quando formos nós mesmos as vítimas? Será que não percebemos que essa estratégia primária é executada apenas para nos manter acuados e temerosos, feito medo de relho que roda à toa-toa na senzala -então que se não se metam a besta os negrinhos, que o patrão não gosta...?

E, perguntamos novamente: será que a partir desse impulso de solidariedade e justa indignação, saberemos construir uma reação organizada, uma mobilização real e objetiva, que de fato mude este estado crônico de injustiça no controle do nosso mercado de trabalho - da entrada e da permanência digna nele?

Faremos algo que transforme a vida de todos, de todos mesmo, e não apenas dos credenciados desse ou daquele plano de doença, digo, saúde? Ou nos conformaremos de que a regra é essa e o sistema é assim mesmo? E que só me resta tentar me ajustar e me dar bem de algum modo, dá-lhe egoísmo escapista...

Assim, os fatos comprovam que podemos reagir, interferir e transformar o sistema, e dependemos de mais consciência, e mais recursos, afinal, mudanças dependem de política, e política depende de conscientização, envolvimento no dia-a-dia e participação física, verbal e emocional, e dinheiro, muito dinheiro.

Bem, a Central Médica está mais que pronta para ser o instrumento dessa transformação e sua plena ativação depende não apenas de boas intenções ou cartas, mas de que mais e mais médicos acreditem nos parágrafos acima, e que enviem respostas solidárias e maduras para cada uma das questões levantadas.

Nossos projetos irão avançar, desde que grande parte de nós participe das assembléias e pratique as ações deliberadas em conjunto. Com apoio, colegas, vamos juntos e fortes à luta, por nossos direitos e ideais, em defesa da mais justa e livre relação médico-paciente!

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