Uma vida dedicada
à homeopatia
Humberto Portugal Karl - Pres. do CEPHRC e Membro
Efetivo do Instituto Hahnemanniano do Brasil
Um
médico houve em terras fluminenses, o Prof. Dr. Roberto
Costa, que fez história entre nós. Petropolitano
franzino, rosto triangular, gênio ativo e perspicaz.
Comia pouco, mas freqüentemente. Elétrico no
falar prendia a atenção pelo inusitado da
argumentação atualíssima e atraente.
Circunspeto nas pausas para pensar, quando, então,
acariciava a fronte, como a ordenhar idéias. Desde
novo, envolvido com as coisas da ciência. Pesquisador,
desde o início de sua vida médica, fez do
estudo e prática da ciência a sua razão
de viver. Sem filhos biológicos, eram ele e Dona
Marília, companheira sempre presente.
Dedicou-se desde cedo ao estudo, à pesquisa, à
prática e ao ensino da homeopatia. Coisa estranha!
Dedicar-se a esta especialidade tida como “alternativa”,
no que este termo pode ter de mais “estranho”.
Fato é que, desde novo, teve sua formação
com os grandes vultos desta ciência e se dedicou ao
aprofundamento deste ramo do conhecimento médico,
não abdicando da atualização constante
na clínica médica. Diplomou-se em alergia
clínica, aprovado na prova específica da especialidade.
Domiciliado e clinicando em Petrópolis, desde jovem,
fez fama e suas receitas rodavam o mundo. Pesquisador, sua
mente não se fixava nos limites do possível.
Como Hahnemann, não se deixou quedar pelas dificuldades
e incompreensões tão ao gosto dos dias de
então. Participava de todos os congressos homeopáticos
do Brasil e no exterior, sempre na condição
de palestrante, de convidado. Levava sua experiência
e sua voz era aguardada e ouvida com respeito e admiração.
Em suas constantes viagens ao exterior trazia medicamentos
– os bioterápicos, ou nosódios franceses
– produtos de origem biológica, fisiológica
e patológica, que usava em seus clientes, sempre
com excelentes resultados. Estudando a micro-biologia à
luz da Homeopatia e suas aplicações terapêuticas,
concebeu algo até então ignorado. Viu que
os medicamentos eram preparados a partir de microrganismos
enfraquecidos ou mortos, a exemplo das vacinas. Por que
não prepará-los a partir de culturas vivas,
patogênicas, isto é, capazes de estimular mais
intensamente a reação do indivíduo
que se queria tratar? Era a prática da isopatia,
na isoterapia, individual e específica, referenda
na farmacopéia e com farmacotécnica estabelecida.
Sua sintomatologia podia ser deduzida da clínica,
caracterizando os sintomas mentais, funcionais e lesionais,
justificando-o como medicamento homeopático verdadeiro.
Nasceram, então, os “Nosódios Vivos
(RC)”.
Surge, com estas idéias, a Escola Brasileira de Homeopatia,
assinada pelo seu criador, aqui lembrado nestas pobres linhas.
A visão de uma terapia tri-uma, ou seja, medicamentos
homeopáticos que ajam em três níveis
– o de profundidade, ou similimum; o sindrômico
ou etiopatogênico ou funcional; e finalmente, o lesional,
última instância de localização,
com crescente falência orgânica. Com este esquema
terapêutico, consegue-se o ideal de cura ou alívio
dos doentes, que são, em última análise,
a anulação da expressão da patologia.
Trabalhos publicados dentro e fora do país, agenda
sobrecarregada, pesquisas, preparação de remédios,
edição de livros, pareceres, aulas magistrais.
No V Simpósio Nacional de Pesquisas Institucionais
em Homeopatia (RJ – 1995), o Prof. Bernard Poitivin
(França) disse que “Os nosódios do Prof.
Roberto Costa são o futuro da Humanidade”.
A idade, por fim, octogenário, ceifou-nos a convivência
com este grande médico. Amigo, idealista, melhor
colega, companheiro, bom esposo, excelente cidadão.
Partiu, como as estrelas, para enfeitar os céus dos
homens de bem.
Um modelo a ser seguido por todos aqueles que querem continuar
teimando em construir um mundo melhor. Criou uma técnica
de preparação de medicamentos que atualizam
a homeopatia, colocando-a em pé de igualdade com
as terapias mais atuais e revolucionárias, do terceiro
milênio, uma contribuição genial. É
o novo da homeopatia, para encontrar as especialidades irmãs
da Ciência Médica. É um aliado valioso
em tempos de luta contra a resistência bacteriana,
na indução da imunoestimulação,
nas terapias genéticas, nas viroses e parasitoses
desafiadoras. Um campo de pesquisa que se abre para a terapia
oncológica, infecto-pasasitárias, de auto-agressão
e nas demais especialidades.
Em Petrópolis, está o Centro que fundou, hoje
denominado Centro de Estudos e Pesquisas Homeopáticas
Roberto Costa (CEPHRC), ligado ao Departamento De Homeopatia
da Sociedade Médica de Petrópolis, visando
manter os ideais acima expressos. Lá, os homeopatas
se reúnem para a continuidade do trabalho legado
pelo antigo mestre. Desejamos manter a bandeira que o Prof.
Dr. Roberto Costa tão bem desfraldou e defendeu.
Nossos agradecimentos ao antigo e inesquecível mestre.
Um petropolitano ilustre, um fluminense inesquecível,
um brasileiro como poucos, um homem digno de nossa digna
profissão. Não foi mais famoso, estudado,
apreciado e homenageado porque, talvez, tenha sido um cientista
brasileiro, fluminense, petropolitano, homeopata. Não
vivia da doença, vivia para a saúde.