A luta pela dignidade
Clóvis Abrahim Cavalcanti - Presidente do Sindicato
dos Médicos de Niterói
A
classe médica, há anos, não recebe
dos planos de saúde reajustes em seus honorários.
A tabela usada, além de estar totalmente desatualizada
e defasada, é de 1990, e nela não foram incluídos
os novos meios de diagnósticos existentes na atualidade.
Com a inflação, o aumento de impostos, serviços
e de todo o material especializado, os consultórios
e hospitais estão passando por situação
deficitária, culminando com encerramento de muitos
deles. Anualmente, os planos de saúde aumentam as
mensalidades de seus usuários. No entanto, não
contemplam os médicos com nenhum reajuste em suas
consultas e procedimentos, que estão com valores
cada vez mais aviltantes.
Quando os sindicatos, as sociedades médicas, regionais
e de especialidades, e os Conselhos de Medicina mobilizam-se
para uma negociação de melhoria dos valores
dos honorários, seus representantes são rechaçados
e ameaçados de prisão, sob a alegação
de formação de cartel. Ora, como legítimos
e legais representantes dos médicos é por
obrigação de ofício defendê-los.
Não podem ser arbitrariamente acusados e intimidados,
principalmente quando os planos sobem o valor de suas mensalidades
sem o devido repasse para as consultas médicas.
Os médicos são a principal causa dos planos
existirem e, sem esses profissionais, não há
o que vender ao público. Não há que
se falar em cartel, quando existe autorização
para aumento das mensalidades dos usuários e não
permissão das entidades legais de lutarem por seus
representados.
São os médicos os únicos profissionais
liberais que recebem seus honorários em média
60 dias após prestarem seus serviços. Havendo
a famigerada glosa, o prazo estende-se às vezes por
mais dois meses. Pedreiros, eletricistas, pintores entre
tantos outros profissionais, ao término de seus serviços
recebem imediatamente seus pagamentos, por questão
de sobrevivência. Por qual razão isto não
acontece com os médicos? Em virtude deste fato, é
que a classe está se mobilizando e chamando a atenção
da sociedade e das autoridades para o reajuste anual dos
procedimentos na saúde.
Há outra discrepância no que diz respeito às
consultas. Um mesmo plano apresenta dois valores diferentes
para o mesmo tipo de atendimento. Como se a consulta médica
não fosse igual para todos. Assim como as doenças,
que também não são diferenciadas.
Por tanto conclamamos as bancadas médicas a se engajarem
nesta justa reivindicação, porque nem prestadores,
nem usuários estão satisfeitos. Necessitamos
urgente da implantação da CBHPM
- Classificação Brasileira Hierarquizada de
Procedimentos Médicos em que constam as novas técnicas
e os avanços da medicina para melhores e mais rápidos
diagnósticos, tratamento e cura de doenças.