Porque os médicos
devem participar das suas entidades
Ernani Aboim - Dir. do Inst. de Pós-Graduação
Médica Carlos Chagas
Há
muitos anos, as entidades médicas vêm se destacando
pelas suas atuações e mostrando o quanto são
importantes para a profissão médica e para
a saúde da população. Se fizermos uma
análise retrospectiva do movimento médico
no Brasil, nós nos damos conta de que as entidades
médicas fundamentalmente se envolviam em programas
acadêmicos e de formação de recursos
humanos. Com a evolução das suas ações,
as entidades começaram a se identificar com assuntos
de interesse para a sobrevivência do profissional
médico.
A história do movimento médico nos mostra
o surgimento de instituições marcantes, com
a Academia Nacional de Medicina, há 175 anos, que
foi criada com o objetivo de assessorar o Imperador do Brasil
na elaboração dos programas de saúde.
Mais tarde, surgiu uma série de outras sociedades
médicas. O Rio de Janeiro, que já foi a capital
do Império e, depois, a capital da República,
sempre se destacou por ter uma forte liderança nas
suas entidades médicas. Prova disso, é que
hoje temos um grande número de entidades defendendo
as lutas dos médicos e sendo referência para
outros Estados do país. Com isso, não posso
deixar de destacar o trabalho de entidades como a Sociedade
de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, o Colégio
Brasileiro de Cirurgiões, a SOMERJ, o CREMERJ e tantas
outras, que inquestionavelmente vêm atuando em benefício
da classe médica no nosso Estado.
Até bem pouco tempo, as nossas entidades não
eram dirigidas por médicos altamente diferenciados.
De certa forma, isso tem se modificado bastante, e para
melhor. Hoje, os dirigentes das entidades médicas
têm uma visão de competência, estão
dentro dos hospitais, públicos e privados, de universidades,
envolvidos com ensino, pesquisa e assistência. No
Rio de Janeiro, vemos a SOMERJ, o CREMERJ e as sociedades
de especialidades atuando não somente no aprimoramento
do exercício da Medicina, mas também em assuntos
correlatos, como o erro médico, a remuneração
digna, a relação com os planos de saúde.
Ou seja, envolvidas em todos os temas interdependentes que
hoje representam os interesses da categoria médica.
As entidades médicas tentam, de todas as formas,
defender o médico e a dignidade profissional. No
entanto, somente a atuação das entidades não
basta. É preciso que os médicos se integrem
às suas sociedades, participem do movimento, apresentem
suas angústias e proponham soluções
para os graves problemas que afetam o nosso trabalho. O
apoio que o médico deve dar às entidades é
na convicção de que se ele levar a sua competência
e a sua contribuição, as sociedades médicas
estarão mais fortalecidas para lutar pelos nossos
anseios. Se o profissional ficar à margem do movimento
médico, nós vamos ficar apenas protestando,
sem em nada avançar.
Médicos, procurem suas sociedades e se interessem
pelo funcionamento de seus órgãos de classe,
pois hoje as nossas entidades têm uma direção
mais qualificada no nosso Estado e são capazes de
obter vitórias e conquistas importantes para o exercício
da nossa profissão. Ao assumirem uma outra posição,
que não seja de apoio e participação
nas entidades, os médicos estarão se recusando,
na verdade, a contribuir para a política nacional
de saúde como um todo, nas áreas assistencial,
de ensino e de pesquisa; na avaliação da qualidade
profissional; e no desenvolvimento tecnológico, tão
necessário no mundo cibernético que estamos
vivendo.
Desta forma, acredito que o apoio e a participação
dos médicos nas suas entidades vão trazer
seguramente a definição de melhores caminhos
para a Medicina e a saúde. Vale destacar o respeito
que vem consolidando as entidades médicas do Estado
do Rio de Janeiro, que representam os anseios de significativa
parcela da categoria médica.