Associação Médica em Revista
  Editorial

Porque ser médico
Samuel Kierszenbaum - Presidente da SOMERJ


Precárias condições de trabalho, má remuneração, intermediação dos planos de saúde na relação médico-paciente, intromissões de outros profissionais nas atividades exclusivas do médico. Por um dia, pare e deixe de lado as mazelas da nossa profissão. Tente pensar no que ela nos oferece de bom. Conseguiu se lembrar das coisas boas? Guarde-as com cuidado para você.

Nos dias de hoje, em que a falta de tempo, o excesso de problemas e o estresse tomam conta do nosso cotidiano, muitas vezes esquecemos da essência da nossa profissão. Talvez, seja por isso que tanto se fala em humanização do atendimento e relação médico-paciente. Será que os conflitos da vida moderna realmente nos fizeram esquecer dos alicerces da nossa profissão? Pense você e responda para si mesmo.

Quando atende o seu paciente, o médico não está levando até ele apenas a cura ou o seu saber técnico, ele está oferecendo ajuda, diminuindo o sofrimento e minimizando a dor, seja ela física ou psíquica. Na verdade, mais do que isso tudo, o médico está levando a sua solidariedade ao ser humano. Mais importante que o conhecimento técnico, é a solidariedade pelo seu semelhante que faz você valorizar a vida. Afinal, o médico está presente em todas as fases da vida de uma pessoa: nascimento, crescimento, maturidade e morte.

Gostar da área de biomédica, ter médicos na família, achar que Medicina dá status ou dinheiro não são motivos suficientes para ser médico. É preciso mais, muito mais. Sem querer citar clichês, mas já fazendo, é preciso ter dom. Fundamentalmente, dom para doar-se e servir ao ser humano.

O ganho material é extremamente importante na vida de qualquer pessoa. Com o médico, não é diferente. No entanto, não é isso que tem que impulsionar a nossa profissão. Lembre-se não adianta ser um médico altamente qualificado, com todas as titulações a que se tem direito, se não houver amor ao próximo. Até pode-se, e deve-se, ganhar coisas materiais com a Medicina, mas é preciso sentir prazer em ser solidário.

No mês de outubro, quando se comemora o Dia do Médico, a SOMERJ homenageia a nossa profissão, mostrando alguns exemplos de médicos solidários, que conseguiram mais do que trabalhar e atender pacientes, conseguiram transformar a vida de muitas pessoas e alimentar a alma.
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