Momento atual da
FENAM
Waldir Cardoso - Presidente da FENAM
A
unificação das entidades sindicais nacionais
FENAM e CMB trouxe para o movimento sindical médico
novas perspectivas, simplesmente pelo fato de que, a partir
de agora, as energias dos sindicalistas médicos está
totalmente voltada para as lutas médicas.
Esta nova realidade já é plenamente notada
no cotidiano do movimento médico. A luta pela implantação
da CBHPM – Classificação Brasileira
Hierarquizada de Procedimentos Médicos, por exemplo,
tem a participação das entidades sindicais
em todas as regiões do país, trazendo para
esta importante luta todo o ímpeto, desprendimento
e experiência dos sindicalistas no inevitável
enfrentamento com as operadoras de planos de saúde.
Já estamos engajados no embate pela aprovação
do Projeto de Lei nº 25/02, passando a integrar as
Comissões Estaduais em Defesa do Ato Médico;
participamos ativamente da Comissão Nacional de Residência
Médica, em que discutimos e reivindicamos a ampliação
do número de bolsas para residentes médicos,
bem como adequadas condições de preceptoria
e acomodações; junto ao Ministério
da Educação e da Saúde, pressionamos
para que novas escolas médicas só sejam abertas
mediante critérios de necessidade social e perfeitas
condições para o ensino médico; participamos,
no Ministério da Saúde, da Comissão
Nacional que elabora as Diretrizes para o Plano de Carreiras,
Cargos e Salários no âmbito do SUS, cujo produto
final será apreciado pela Mesa Nacional de Negociação
do SUS e, em caráter terminativo, no Conselho Nacional
de Saúde; realizamos, no final de junho, o II Encontro
Nacional de Avaliação do Programa de Saúde
da Família, iniciativa ímpar que avalia a
implementação do PSF. Enfim, estamos dando
conta das deliberações do Encontro Nacional
das Entidades Médicas, realizado em 2002, em conjunto
com o CFM e AMB.
Além destas lutas conjuntas, estamos reiniciando
a articulação da luta pela aprovação
do Piso Salarial Profissional, projeto de lei que está
tramitando no Congresso, atualmente sob a responsabilidade
do Deputado Rubens Otoni, de Goiás. Já estivemos
com o deputado que se prontificou a agilizar seu parecer,
a fim de que o projeto possa seguir sua tramitação.
Neste sentido, já encaminhamos ao gabinete do deputado
todo o material disponível que embasa nossa postulação.
Preocupados com a situação dos médicos
que trabalham para o SUS, continuamos pressionando o Ministério
da Saúde pela revisão dos valores pagos na
Tabela do SUS e defendemos a adoção da CBHPM
como referência daquela tabela. Outra frente de atuação
que temos dedicado esforços é pela regulamentação
do exercício profissional de médicos estrangeiros
no país, particularmente nas áreas de fronteiras.
Em conjunto com sindicatos médicos do sul do país,
particularmente o Sindicato dos Médicos do Rio Grande
do Sul, acionamos o Ministério da Justiça
apresentando sugestões para organizar e ordenar o
exercício da Medicina nas referidas áreas.
Toda esta atuação está sendo possível
como resultado de um processo de amadurecimento do movimento
sindical médico materializado na fusão da
CMB com a FENAM. Entretanto, ainda temos desafios pela frente.
Um deles é garantir a sustentabilidade financeira
da FENAM e de nossas entidades de base. Nosso entendimento
é que a força da FENAM está no fortalecimento
e viabilidade dos sindicatos. Neste sentido, estamos trabalhando
estratégias político-administrativas que levem
aos sindicatos de base apoio político e possibilidade
de crescer financeiramente.
Por fim, o desafio maior: enfrentar a ameaça da reforma
sindical que está sendo proposta pelo Governo federal.
Da forma como está, a reforma simplesmente extingue
os sindicatos que representam as categorias diferenciadas,
como os profissionais liberais. Na luta pela manutenção
de nossa representatividade profissional, precisamos do
apoio das demais entidades médicas. É o chamamento
que a FENAM faz neste momento.