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A estratégia da SBEM no combate
à obesidade infantil
Os
inquéritos populacionais têm registrado um
alarmante aumento na incidência de obesidade no Brasil
nas últimas três décadas. Comparando-se
levantamentos efetuados no território brasileiro,
em 1975 e 1997, observa-se que a prevalência da obesidade
aumentou de 3 para 15% em crianças. Segundo a Organização
Pan-Americana de Saúde (OPAS), a prevalência
de obesidade infanto-juvenil no Brasil subiu 240% nas últimas
duas décadas. Os estudos mostram que, apesar da desnutrição
ainda ser uma triste realidade no Brasil, há, pelo
menos, 70 milhões de brasileiros (40% da população)
acima do peso adequado. Cerca de 15% das crianças
e adolescentes estão obesos.
- O substancial incremento na taxa de obesidade em crianças
e adolescentes decorre, principalmente, de mudanças
no estilo de vida da nossa população, associadas
a um ambiente que fomenta hábitos sedentários,
com diminuição da freqüência da
atividade física, uma vez que as crianças
estão trocando as brincadeiras ao ar livre por televisão,
computador e videogames, e pela aquisição
de hábitos alimentares inadequados, caracterizados
pela substituição dos alimentos tradicionais
da nossa cultura por dietas de alto valor calórico,
nem sempre acompanhado de adequado valor nutricional –
afirmou a médica Maria Alice Neves Bordallo, Vice-Presidente
da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia
– Regional RJ (SBEM-RJ).
De acordo com Maria Alice Bordallo, preocupada com o aumento
crescente da obesidade entre crianças e adolescentes,
a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM),
ciente de seu papel não só científico,
mas de compromisso com a sociedade civil, lançou
em maio de 2004, em parceria com a Associação
Brasileira para o Estudo da Obesidade (ABESO), o Observatório
de Políticas de Segurança Alimentar e Nutrição
da Universidade de Brasília e a Sociedade Brasileira
de Pediatria, o projeto intitulado “Escola Saudável”.
- Este projeto tem como principais objetivos desenvolver
e implementar um programa de educação do lanche
escolar e estimular a atividade física para a melhoria
da qualidade de vida dos estudantes, ajudando a prevenir
a obesidade, o erro alimentar e o sedentarismo – comentou.
A Regional Rio de Janeiro da SBEM abraçou o Projeto
Escola Saudável, que foi lançado no dia 16
de agosto na cidade de Petrópolis, sob a coordenação
de Maria Alice Neves Bordallo, em colaboração
com a médica Alessandra Uchoa, que já vinha
desenvolvendo trabalho semelhante com apoio da Prefeitura
local.
- O projeto-piloto foi realizado em dois colégios
da cidade de Petrópolis, um público e um da
rede particular. Foram ministradas palestras a 982 alunos
e preenchidos 403 questionários, entre alunos da
3ª e 4ª séries, que darão um perfil
dos hábitos alimentares dos alunos pesquisados –
relatou.
Além das palestras, acrescentou Maria Alice, foi
feito um levantamento antropométrico com cálculo
de IMC e promovidas atividades físicas entre os alunos,
apresentação de peça de teatro infantil,
baseada em livro editado pela Dra. Alessandra Uchoa e adotado
pela rede municipal de Petrópolis. Foram realizadas
dosagens de colesterol em 509 crianças, após
autorização prévia dos pais.
- Os resultados obtidos confirmam outros estudos que mostram
um grande percentual de crianças com alteração
de peso, sobrepeso e obesidade, e hipercolesterolemia. Os
resultados obtidos foram os seguintes: no colégio
público, o percentual de sobrepeso foi de 14% e de
obesidade de 11,5%. Das 902 crianças avaliadas, 466
realizaram dosagem de colesterol, sendo observados níveis
elevados (=>170 mg/dL) em 23,3%. No colégio particular,
o percentual de crianças com sobrepeso foi de 17,4%
e de obesidade 13,9%. O total de hipercolesterolemia, no
colégio da rede particular, foi de 18,6% - observou.
Os resultados, continuou Maria Alice Bordallo, apontam para
a necessidade de um rápida atuação
no sentido de implantar o projeto da “Escola Saudável”
em colégios da rede pública e particular,
com intuito de orientar professores, pais e cantineiros
da necessidade de uma alimentação saudável
assim como da necessidade do aumento da atividade física.
- A iniciativa do projeto “Escola Saudável”
teve excelente receptividade das autoridades locais e o
projeto deverá ser estendido a outras escolas da
região e do Estado – ressaltou.