SOMERJ completa 20 anos de luta
em defesa do médico
Em 19 de maio de 1984, a Associação Médica da Região dos Lagos (AMRL) sediou o I Encontro dos Médicos do Estado do RJ, com a finalidade de criar uma entidade única estadual, federada da Associação Médica Brasileira (AMB). A proposta foi feita pela Sociedade de Medicina e Cirurgia do RJ e aceita pela unanimidade das associações médicas presentes na ocasião. Um ano depois, durante o V Encontro dos Médicos do Estado do RJ, também realizado na AMRL, foi oficializado o nome SOMERJ e aprovado o estatuto da nova entidade. A partir dali, nascia a Sociedade Médica do Estado do RJ, legítima representante de todos os médicos fluminenses. Esse ano, a SOMERJ está completando 20 anos como uma entidade que dedica-se à defesa dos interesses da categoria nas áreas técnico-científica, ética, social e do exercício profissional.
- Ainda em 1985, a Assembléia de Delegados da AMB, realizada no Rio de Janeiro, na sede do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, homologou a SOMERJ como sua única federada no Estado do RJ. Em 22 de agosto daquele mesmo ano, foi eleita pelo voto direto dos médicos do Estado a primeira diretoria da SOMERJ, presidida por Irapuan Pimenta (1985/1987) – relatou Eduardo Augusto Bordallo, Presidente da SOMERJ na gestão 1987-1989.
Hoje, continuou Bordallo, a SOMERJ é uma instituição consolidada e respeitada, com um cabedal político importante. Acredito que ela seja uma das mais importantes sociedades federadas da AMB.
Durante esses 20 anos, além de Irapuan Pimenta e Eduardo Bordallo, a SOMERJ teve mais seis presidentes: Flávio Abramo Pies (1989-1991), Lenício de Almeida Cordeiro (1991-1993), Mario Jorge Rosa de Noronha (1993-1995), Eduardo da Silva Vaz (1995-1997 e 1997/1999) e J. Samuel Kierszenbaum (1999-2002 e 2002-2005). Atualmente, o Presidente da SOMERJ é o pediatra Carlindo de Souza Machado e Silva Filho.
De acordo com Osmane Sobral Rezende, um dos fundadores da SOMERJ, a idéia de criação da SOMERJ partiu dos médicos de Cabo Frio. Na época, havia um descon-tentamento das associações médicas do interior pela pouca participação na direção do movimento associativo, uma vez que ainda existam duas entidades represen-tativas no Estado: a Associação Médica Fluminense (AMF), em Niterói, e Sociedade de Medicina e Cirurgia do RJ (SMCRJ), no Rio, mesmo depois da fusão dos Estados da Guanabara e do Rio de Janeiro.
- Essa insatisfação começou em Cabo Frio, na gestão de Carlos Vitor da Rocha Mendes à frente da AMRL. Esse movimento cresceu e, durante quase dois anos, foram feitas reuniões em todo o Estado para discutir a unificação das duas entidades, para formar uma única federada da AMB. Realizamos um trabalho árduo para quebrar as resistências de parte a parte. Foi criado um colegiado, formado por mim, na época Presidente da AMRL; por Eduardo Bordallo, então Presidente da SMCRJ; e por Celso Cerqueira Dias, então Presidente da AMF; com o objetivo de redigir o estatuto da SOMERJ e organizar a primeira eleição – explicou.
Para Mário Jorge Rosa de Noronha, a criação da SOMERJ foi bastante positiva, principalmente porque o movimento médico estava fragmentado com a atuação de duas entidades representativas do Estado.
- A SOMERJ veio para unificar o nosso movimento associativo. Desde o início, houve um fortalecimento do movimento no interior do Estado e, hoje, sem dúvida nenhuma, a SOMERJ está consolidada. No entanto, acho que a SOMERJ não teve a atuação esperada na capital e, por isso, hoje, existem algumas divergências. Com o Dr. Carlindo, na SOMERJ, e o Dr. Celso Ramos, na SMCRJ, acredito que há condições políticas para corrigir essa distorção – considerou.
Segundo Eduardo Vaz, o trabalho desenvolvido pela SOMERJ no interior fez com que o movimento associativo crescesse muito, principalmente no que se refere à união e ao congraçamento dos médicos, mas o mesmo não aconteceu em relação à atuação das sociedades de especialidades e à discussão da política médica.
- É função das sociedades de especialidades levar educação continuada aos médicos do Estado através da SOMERJ, mas isso não tem acontecido. Durante a minha gestão na SOMERJ, viajávamos pelo interior discutindo as dificuldades e os problemas dos médicos em cada região, já que não tínhamos um órgão sindical de abrangência estadual – ressaltou.
Seria fundamental, acrescentou Eduardo Vaz, que a SOMERJ resgatasse essa luta política em prol da situação do médico hoje. A congregação dos médicos é muito importante, pois só conseguimos avançar com a união. No entanto, neste momento, temos que recuperar o que foi uma perda para a SOMERJ.
De acordo com Samuel Kierszenbaum, existem três eixos de atuação no movimento médico: o associativo, o conselhal e o sindical. A SOMERJ, à frente do movimento associativo, atua como o elo aglutinador dos três eixos, no intuito de se rilhar um só caminho.
- Tivemos uma expansão significativa no interior, com a abertura de novas socie-dades filiadas. Infelizmente, tivemos também o desprazer de fechar algumas sociedades, pois acreditamos que as pessoas, que não aglutinam idéias, não podem permanecer no sistema – afirmou.
Nesses 20 anos, continuou Samuel Kierszenbaum, a SOMERJ obteve um crescimento fantástico e, hoje, tem uma grande importância política e técnico-científica no movimento médico. Tanto que a SOMERJ recebeu um elogio da AMB, como a sociedade mais organizada do país.
- Isso não é um elogio ao presidente e à diretoria da SOMERJ, e sim aos médicos do Estado do Rio de Janeiro – observou.
SOMERJ presta homenagem ao seu primeiro presidente
SOMERJ presta homenagem ao seu primeiro presidente
Durante a olenidade de posse da nova diretoria, Carlindo Machado e Silva prestou uma homenagem a Irapuan Pimenta, primeiro Presidente da SOMERJ. Naquele dia, por problemas de saúde, Irapuan Pimenta não pôde comparecer e sua esposa, Zoraida Cléa Gomes Pimenta, recebeu a homenagem por ele. Com a saúde debilitada há algum tempo, Irapuan Pimenta acabou falecendo no dia 10 de outubro.
Segundo Guilherme Eurico Bastos da Cunha, Conselheiro do CREMERJ e amigo pessoal de Irapuan Pimenta, o primeiro presidente da SOMERJ, além de ter sido um exímio cirurgião, também foi um apreciador da vida. Desde jovem, já tinha vontade de viver intensamente. Irapuan Pimenta tinha vontade de viver não apenas a seriedade da Medicina, mas também o convívio com a família e com os amigos nos momentos de lazer.
- Tive a honra e o prazer de conviver com Irapuan Pimenta ainda na faculdade de Medicina. Eu era recém-ingresso no curso médico e ele estava dois anos na minha frente, sendo o interno mais antigo da enfermaria de cirurgia do Hospital Universitário Antonio Pedro. Naquela época, havia poucos médicos do staff nas enfermarias e o que contava era a “antiguidade” dos acadêmicos – relatou.
Minha convivência com Irapuan, acrescentou Guilherme Eurico, começou e rapidamente foi possível constatar o seu senso de responsabilidade e a sua vontade de aprender. A nossa geração médica foi marcada pela curiosidade, já que vivíamos o advento da Medicina pós-guerra, com a introdução da cirurgia moderna.
- Com isso, Irapuan destacava-se como aquela figura que detinha o conhecimento de novas técnicas, transformando-se num líder no ensino médico. Estudioso e divulgador de condutas corretas, ele sempre era aprovado, nas primeiras colocações, de qualquer concurso que realizava e podia escolher o hospital que queria atuar. Diante disso, éramos estimulados a obrigato-riamente seguir seus passos: estudar, fazer concursos e passar – afirmou.
O espírito empreendedor de Irapuan, continuou Guilherme Eurico, fez com que ele construísse com alguns colegas um pequeno hospital em Cabo Frio, em que atuava com o que havia de mais moderno nas novas técnicas. Irapuan foi responsável pela formação de muitos médicos da região.
- Ele também foi um homem de importância na política médica. Ele teve uma posição decisiva na criação da Unimed Cabo Frio, mas foi no movimento associativo que ele se destacou, como um dos idealizadores da SOMERJ, sendo uma figura importante na fusão da Sociedade de Medicina e Cirurgia do RJ e da Associação Médica Fluminense – relatou.