Associação Médica em Revista
  Saúde Pública

Congresso discute a atual situação das emergências

A integração do atendimento pré-hospitalar com as unidades de emergência e a atual situação das emergências foram alguns dos assuntos que estiveram em discussão durante o V Congresso Médico dos Hospitais Públicos de Emergência do Rio de Janeiro, realizado pelo Grupo de Trabalho sobre Emergência do CREMERJ, no dia 10 de dezembro.

A programação científica apresentou temas, como síndrome coronariana aguda, atualização no atendimento ao politraumatizado, reanimação cardiopulmonar, acidente vascular encefálico isquêmico, baleados, afogados, queimados, emergências no diabetes, tromboembolia, traumatismo crânio encefálico, trauma abdominal, infecção na emergência, hemorragia digestiva alta, dor abdominal na criança, insuficiência respiratória aguda, entre outros. Ainda aconteceram atividades práticas, promovidas pelo GSE/CBMERJ e pelo Hospital Central da PM, abordando suporte básico de vida, intubação endotraqueal e imagem na emergência.

Na ocasião, o Conselheiro Aloísio Tibiriçá, Coordenador do Grupo de Trabalho sobre Emergência do CREMERJ, mostrou que os problemas, apontados pela Recomendação CREMERJ em relação às Emer-gências, publicada em 2000, como a necessidade na central de regulação, leitos de retaguarda, porta de entrada resolutiva, entre outras, permanecem sem solução e continuam pre-judicando a assistência, mesmo depois de cinco anos. Segundo o Conselheiro, o SAMU veio para organizar o atendimento pré-hospitalar móvel, assim como para ajudar na estruturação da central de regulação, mas ainda há questões que precisam ser resolvidas.

- A deficiência de médicos no SAMU é uma realidade e assim o serviço não está funcionando como deveria. Ou seja, ele foi criado com a intenção de atender o paciente em casa e resolver no local, se possível, seu problema de saúde, evitando que aquele paciente vá desnecessariamente ao hospital de emergência. Como esse atendimento está sendo feito em grande parte por enfermeiros e não por médicos, a ambulância do SAMU não tem outra opção e acaba levando o paciente para o hospital - analisou.

O gerente médico do SAMU/Emergência em Casa, Wellington Morales, apresentou como é feito o fluxo de atendimento do serviço, começando pelo chamada do 192 que é atendida por uma telefonista, passando para o médico regulador e pelo envio da ambulância, até a orientação de se levar ou não o paciente para o hospital.

- A prioridade do SAMU é o atendimento de urgências e emergências clínicas, enquanto que as traumáticas ficaram por conta do GSE, e a transferência de pacientes em emergência. Todas as chamadas são passadas pelo médico regulador e é ele que define os critérios de envio da ambulância, se será básica ou avançada. Também é o médico regulador que orienta se o paciente será tratado local ou mandado para o hospital. A nossa intenção é que esse paciente chegue ao hospital com a equipe médica da unidade informada sobre isso – ressaltou.

No futuro, acrescentou Morales, a nossa perspectiva é a ausência de demanda espontânea nas grandes emergências, de modo que todas as emergências clínicas cheguem através do SAMU. Para isso, com toda certeza, é fundamental a integração de todos os parceiros no atendimento de emergência. Caso contrário, não chegaremos a lugar nenhum.

De acordo com Eliana Bittencourt, Coordenadora das Unidades de Urgência/Emergência da Secretaria Municipal de Saúde, a SMS vem tentando cumprir a Portaria nº 2.048/02, do Ministério da Saúde, que regulamenta o atendimento pré-hospitalar, com a estruturação do SAMU. No entanto, existem dificuldades de integração entre os níveis de Governo envolvidos na assistência.

- Temos uma rede imensa e vemos o paciente “tonto”, sem saber para onde ir. Como sabe que, nos postos de saúde, não vão resolver o seu problema, ele acaba indo direto para o hospital de emer-gência. A conseqüência disso é a desorganização do sistema e a distorção do perfil de aten-dimento das emergências – comentou.

Nas emergências, continuou Eliana Bittencourt, não pode haver internações em macas. O paciente deveria estar ali somente de passagem para ser estabilizado e, depois, encaminhado a algum serviço. Mas, não é isso que acontece, porque há deficiências na retaguarda. Como também não há leitos de UTI suficientes, cria-se a chamada UPG - Unidade de Pacientes Graves para internar os pacientes da emergência. Além disso, os procedimentos eletivos concorrem com os de emergência às vagas de centro cirúrgico.

O Superintendente de Saúde da Secretaria Estadual de Saúde, Ismar Bahia, enfatizou que um grave problema também é a ausência de uma política de fixação de profissionais especializados para atenderem em emergência, principalmente, nas regiões menos atraentes, como por exemplo na Zona Oeste. Da mesma forma, não existe um Plano de Cargos Carreiras e Salários que incentive o profissional a trabalhar no serviço público. Também não há qualquer estímulo ao aprimoramento profissional e à pesquisa.

De acordo com Mário Bueno, representante do Ministério da Saúde, a crise que vive hoje os hospitais de emergência do Município e do Estado não é diferente nas unidades do Ministério da Saúde, que constituem-se em hospitais gerais, que atendem de tudo, com emergência aberta.

- Atualmente, constata-se um número cada vez maior de pacientes nas emergências com patologias clínicas, como AVC, infarto, diabetes e insuficiência renal. No entanto, os hospitais estão na “contra-mão” dessa realidade, continuam trabalhando com perfil cirúrgico. Por outro lado, também constata-se uma significante redução de leitos clínicos, apesar de serem cada vez mais necessários – avaliou.

Durante a abertura do congresso, os hospitais de emergência homenagearam vários médicos e Marcos Esner Musafir recebeu uma homenagem especial do Grupo de Trabalho de Emergência do CREMERJ.

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