Todo
mundo sabe o que é Marketing
Alice Selles, mestre em Administração,
Diretora da Selles & Henning Comunicação
e Assessora de Marketing da SOMERJ
Marketing é uma dessas palavras que
entrou na moda. Vemos o tempo todo as pessoas falando que
esta ou aquela ação é “puro marketing”
ou que determinada pessoa “faz seu marketing muito
bem”. Essa popularização, infelizmente,
estabelece crenças que podem estar muito distantes
do que se entende classicamente como marketing. Comumente,
as pessoas acham que propaganda é marketing, e estão
certas. Planejar e implementar uma divulgação
é realizar uma ação de marketing, mas
marketing não é só isso.
Quando
uma pessoa se apresenta ao mercado de uma forma estudada
para dar a impressão que deseja, ela está
fazendo marketing, mas marketing não é só
isso. A impressão que levamos de um hotel ou restaurante
está diretamente relacionada com seu marketing, mas
marketing não é só isso. A imagem de
melhor lugar para se comprar um determinado tipo de produto,
é marketing, mas marketing não é só
isso. O conceito de melhor profissional em uma determinada
especialidade, é marketing, mas marketing não
é só isso.
O
marketing surgiu a partir do momento em que empresas perceberam
que, com o aumento da concorrência, surgiu também
a consciência dos clientes sobre seu poder de escolher,
selecionando critérios próprios que associavam
custos e benefícios.
“Fazer
marketing” significa adotar uma filosofia –
e implementar as ações correspondentes para
transformar essa teoria em prática – com o
objetivo de se distinguir diante de um determinado público,
de tornar-se único.
Uma
empresa pode ser “única” por oferecer
preços menores. Uma empresa pode ser “única”
por oferecer os melhores produtos ou serviços. Uma
empresa pode ser “única” por estar localizada
no melhor ponto.
Quando dizemos que fazer marketing é adotar e implementar
uma filosofia, queremos ressaltar o aspecto eterno que iniciar
uma vivência de marketing tem: do momento em que uma
empresa se volta para uma cultura de estabelecer formas
diferenciadas de se relacionar com o seu público-alvo,
nada mais será como antes. Neste aspecto, “fazer
marketing” é como “fazer dieta”:
quem já viveu os prazeres de reduzir o número
do manequim, sabe que descuidos excessivos não são
perdoados pela balança – nem pelo mercado.
Prestadores
de serviços médicos também devem determinar
estratégias de marketing, pois, ao contrário,
se tornam mais frágeis e suscetíveis ao mercado
e às ações da concorrência. Quem
não “se vende”, fica à mercê
de “ser comprado”, sem nenhum controle sobre
seu mix de serviços, e muitas vezes se percebe oferecendo
um grande volume de serviços menos rentáveis,
em detrimento de buscar ampliar a realização
de serviços que ofereçam maior margem de rentabilidade.
Clínicas,
laboratórios e hospitais precisam selecionar o público-alvo
em função de fatores como forma de acesso
(clientes particulares, sistema público de saúde
ou pacientes com convênios), perfil demográfico
(sexo, idade) e outras tantas condições (por
exemplo, como se dá a demanda por serviços:
através da indicação de outros médicos
ou por procura espontânea dos pacientes). Precisam
também definir atributos para os serviços,
que passam pela “marca” (se o serviço
é dirigido a uma clientela particular, público
mais exigente, por exemplo, a idéia de uma grife
de saúde é cada vez mais valorizada), pelo
local onde os serviços são oferecidos, pelo
treinamento do pessoal que terá algum tipo de contato
com os clientes, pois tudo isso interfere na imagem que
será percebida e fixada.
A
dinâmica atual do mercado exige das empresas mais
do que desenvolver bons produtos ou serviços, estabelecer
preços convidativos e disponibilizá-los ao
público-alvo. É preciso comunicar-se com os
clientes. Só que a comunicação precisa
estar a serviço dos objetivos de marketing, e não
ser transformada em uma ação esporádica
ou uma bóia para os momentos em que as coisas não
vão bem. Em qualquer setor, para obter retorno dos
investimentos feitos em comunicação, uma empresa
precisa administrar uma rede complexa, que envolve, além
de seus clientes, diversos públicos e, a partir daí,
determinar o tipo de abordagem que será utilizada
em sua comunicação.
Tipos
de Abordagem:
Existem duas formas básicas de abordagem de mercado:
única e segmentada.
Abordagem única: nela o profissional
ou serviço desenvolve apenas um programa de marketing,
que visa atingir todos os tipos de consumidores (vale lembrar
que além dos pacientes, temos outros médicos
e operadoras de planos de saúde como consumidores
nos serviços de saúde). Neste tipo de abordagem,
não existem planos específicos para os diversos
segmentos, e por isso, precisa ser o mais abrangente possível.
A abordagem única tem como vantagem a redução
de custos, mas deixa margem para que a concorrência
estabeleça um programa mais específico e ganhe
espaço. É normalmente este o caminho seguido
por consultórios ou pequenas clínicas, mesmo
que de uma forma exclusivamente instintiva.
Abordagem
segmentada: aqueles que optam por este tipo de
abordagem, não encaram o mercado de uma forma homogênea.
Essa divisão denomina-se segmentação
e os segmentos são os grupos que apresentam características,
necessidades, desejos e anseios semelhantes. A abordagem
segmentada torna o trabalho mais direto e efetivo, mas requer
maiores investimentos, já que serão criados
e produzidos materiais específicos para cada parcela
do público-alvo. Uma clínica especializada
em exames, por exemplo, ao optar por uma abordagem segmentada,
deverá elaborar um programa de marketing específico
para atingir outros médicos, que solicitam os exames.
Deverá, também, buscar credenciamento junto
aos planos de saúde que se revelarem mais convenientes
ao seu negócio – seja pela clientela ou pelo
relacionamento que a operadora estabelece com os prestadores
de serviços. Precisará, ainda, cuidar do ambiente
e da forma do atendimento prestado, para que o paciente
fique satisfeito.
Ao
optar pela abordagem segmentada, a clínica pode ainda
escolher a concentração em um ou alguns segmentos,
apresentando um programa especifico. A concentração
permite que se torne um especialista no segmento, conhecendo-se
o consumidor de uma forma mais profunda. Uma clínica
pode especializar-se, por exemplo, em oftalmo-pediatria,
desenvolvendo ambiente e conhecimento sobre este segmento
para ser vista como exclusiva.
Identificar
e conhecer os consumidores não é importante
apenas na fase inicial de um negócio, mas principalmente
para que se possa acompanhar suas respostas no pós-venda
e avaliar os resultados dos programas implementados.