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Plano
de saúde descredencia radiologistas
Desde
fevereiro, o plano Saúde Bradesco vem descredenciando
vários radiologistas em todo o país. A Sociedade
Brasileira de Radiologia (SBR) já entrou em contato
com a direção do plano, a fim de que os descredenciamentos
fossem reconsiderados. No entanto, até o momento,
a Sociedade não obteve sucesso nas negociações
e os descredenciamentos continuam progressivamente.
No
dia 22 de março, a SBR reuniu-se com o Saúde
Bradesco, na sede do CREMERJ. Estiveram presentes Helcio
Erasmi Lopes Junior, representando a diretoria executiva
do plano de saúde; Carlos Alberto Martins de Souza
e Euderson Kang Tourinho, da SBR; e Márcia Rosa de
Araujo e Bartolomeu Penteado Coelho, Conselheiros do CREMERJ.
Segundo Carlos Alberto Martins, após a apresentação
dos fatos, baseados na carta enviada ao Saúde Bradesco pela
SBR, Helcio Erasmi relatou os motivos que levaram o plano
a tomar a atitude, justificando a necessidade de redimensionamento
da rede e argumentando que todas as outras operadoras já
haviam feito o mesmo, inclusive com a redução
de CH. Enfatizou ainda que a operação financeira
do segmento saúde estava dando prejuízo, já
que nos últimos 10 anos não foi possível
reajustar o valor do seguro saúde proporcional à
elevação dos custos, “engessado”
pela ANS – Agência Nacional de Saúde
Suplementar.
- Ele disse que o plano não estava selecionando apenas
os grandes grupos e que os critérios eram baseados
em proporção de usuários/prestadores
de serviço por região, e que está previsto
a denúncia do contrato por qualquer das partes, com
a antecedência de 30 a 60 dias, já que o contrato
é por prazo indeterminado – observou.
Argumentamos,
continuou Carlos Alberto, que o Saúde Bradesco deveria
se preocupar com a qualidade dos prestadores, já
que alguns descredenciados eram clínicas de pequeno
porte, porém com profissionais de reconhecida
qualidade, que são professores de radiologia e tem
selo de qualidade do CBR. Sugerimos que esses critérios
fossem levados em conta e colocamos a SBR à
disposição para servir de intermediadora
e consultora dos critérios de qualidade adotados
pelo CBR.
-
No final, deixamos aberto este canal de negociação,
porém acreditamos que pouco mais possa ser feito
já que é um contrato entre pessoas jurídicas,
regido pelas cláusulas aceitas e assinadas entre
as partes – avaliou.
Avanços
tecnológicos oneram medicina
Nos
últimos 30 anos, o diagnóstico complementar
por imagem apresentou um grande progresso e, com isso, toda
a prática médica, que depende de tecnologia,
acabou onerada. Em contrapartida, milhares de condutas e
decisões médicas são tomadas de modo
correto, reduzindo, substancialmente, a morbidade e mortalidade.
A solicitação de exames de diagnóstico
complementar vem preocupando os planos de saúde,
na medida em que implica em maior custo. Porém, hoje,
não há como prescindir de exames complementares
no atual estágio de desenvolvimento da medicina,
quando se sabe que esses exames são solicitados como
técnica de rastreio, diagnóstico, de acompanhamento
e de critério de cura de doenças.
-
Atualmente, um paciente assintomático pode submeter-se
a um exame de imagem e descobrir algum problema antes que
o sintoma se manifeste. Muitas vezes, um câncer de
mama pode ser descoberto três ou quatro anos antes
que seja detectado clinicamente. E, sabemos que o prognóstico
é diferente quando a doença é diagnosticada
precocemente. A tecnologia contribuiu bastante para o diagnóstico
e, naturalmente, aumentou o custo - afirmou Alair Augusto
Sarmet, Presidente da SBR.
Para
amenizar esse custo, acrescentou Alair Augusto, a nossa
proposta é que exames complementares sejam solicitados
de forma racional pelo clínico. Desse modo, com certeza,
os pacientes, motivo maior do nosso trabalho, irão
efetivamente se beneficiar, tanto que hoje vivemos mais
e de forma mais saudável, graças ao progresso
da medicina.
O
médico Euderson Kang Tourinho, membro da Comissão
de Defesa Profissional da SBR, ressaltou ainda que, devido
aos descredenciamentos, muitos radiologistas, profissionais
de bom padrão e que prestam serviços há
muitos anos aos usuários do Saúde Bradesco,
estão perdendo clientela, o que vem provocando um
desequilíbrio em sua situação financeira.
-
Muitos radiologistas têm uma história de prestação
de serviços de longo tempo, estão interrompendo
o atendimento a sua clientela e nem sabem o critério
adotado para os descredenciamentos – comentou.
Apesar
dos avanços tecnológicos e do alto custo da
medicina, continuou Euderson Tourinho, o nível de
remuneração na área do diagnóstico
complementar foi reduzido com o passar dos anos. Antigamente,
os radiologistas tinham condições de renovar
seus equipamentos com freqüência, enquanto que
hoje isso não é mais possível.
-
Em radiologia geral, os preços ficaram tão
baixos que os especialistas não querem mais investir
nessa área, uma vez que não compensa. Os planos
pagam, em média, R$ 17,00 por uma radiografia de
tórax. Um técnico de radiologia, com 24 horas
de trabalho semanais, ganha dois salários mínimos
regionais, mais insalubridade de 40% e demais direitos trabalhistas.
O custo operacional de um exame é muito alto –
relatou.
Alguns
exames, acrescentou Euderson Tourinho, que antes eram feitos
por vários profissionais, hoje, praticamente não
são encontrados, como a histerossalpingografia, que
é um exame básico para o diagnóstico
da esterilidade feminina. Outro exame, o estudo contrastado
do tubo digestivo, também é pouco estimulante
para o radiologista, por causa da baixa remuneração.
Esses são exemplos de exames que podem oferecer informações
importantes e poucas clínicas o realizam em face
da baixa remuneração.