Associação Médica em Revista
  Emergência

SOMERJ firma parceria para curso de capacitação em emergência

Quanto mais rápido e adequado o atendimento de emergência, maiores são as chances de sobrevivência do paciente e melhor será o prognóstico das lesões sofridas. Todos os médicos concordam com essa afirmativa, mas nem sempre o atendimento ocorre de forma eficiente. O atendimento de emergência requer raciocínio rápido e conhecimento técnico atualizado. No entanto, os médicos que trabalham nas emergências do Rio de Janeiro não recebem o treinamento adequado para enfrentar casos cada vez mais graves. O ensino de emergência no Estado ainda é precário, pois não existe a especialidade do emergencista e, conseqüentemente, a sociedade médica que possa estimular o aprendizado e a educação médica continuada na área. Na maioria dos hospitais, é possível encontrar médicos “mais antigos” transmitindo para os colegas mais jovens a sua experiência em emergência. No intuito de capacitar médicos para o trabalho em emergência, a SOMERJ, em parceria com o Centro de Treinamento Resgate Plus, vai levar para o interior do Estado o curso SAVE - Suporte Avançado à Vida na Emergência, que aborda conceitos de suporte básico, trauma, emergências cardiológicas e emergências pediátricas.

Segundo o Presidente da SOMERJ, Carlindo Machado e Silva Filho, o objetivo dessa parceria é levar ao médico, que está longe dos grandes centros, a capacitação no atendimento ao paciente de risco. Essa capacitação, além de possibilitar a atualização do trabalho médico, faz com que a população seja mais bem assistida, diminuindo assim as seqüelas causadas pelos traumas e número de casos fatais.

- É importante enfatizar que não há na grade curricular das faculdades de medicina o ensino de emergência, o que reforça nossa preocupação de oferecer ao médico capacitação nesse tipo de atendimento. As sociedades filiadas que estiverem interessadas em promover o curso SAVE nas suas cidades, devem entrar em contato com a SOMERJ – frisou.

De acordo com o Diretor de Ensino do Centro de Treinamento Resgate Plus, o médico Jesuíno Ramos Filho, o Centro inicialmente foi criado para treinar e reciclar as próprias equipes médicas do Resgate Plus. Porém, o Centro cresceu e hoje disponibiliza no mercado cursos baseados nos protocolos do ASHI - American Safety & Health Institute. Para a capacitação de médicos e estudantes de medicina a partir do 8º período, o Centro de Treinamento preparou o curso SAVE - Suporte Avançado à Vida na Emergência.

- Ministrado por médicos emergencistas e instrutores especializados, o SAVE pode ser aplicado em qualquer parte do Brasil e conta com a utilização de modernos equipamentos, material didático atualizado, manequins básicos e avançados, pranchas, colares, imobilizadores, coletes para trauma, além de recursos de multimídia que incluem vídeos e slides. As aulas possuem uma dinâmica que permite uma melhor fixação do conteúdo, resultando em um maior aproveitamento pelos alunos – enfatizou.

Todo o treinamento, acrescentou Jesuíno Ramos, é pratico, abordamos pouquíssima teoria, pois partimos do pré-suposto de que os participantes do curso já vêm com algum conhecimento médico. Pegamos conceitos do que é mais importante em emergência, fundamentado por protocolos internacionais, e montamos o SAVE. O curso tem uma carga horária de 16 horas e é realizado em dois dias. Entre os temas abordados, estão como atuar frente a uma parada cardíaca, como fazer intubação em situações especiais, atendimento e transporte do paciente traumatizado, acesso vascular avançado, diagnóstico precoce do derrame, entre outros.

- Tentamos passar para os participantes do curso todos os protocolos que existem de antecipação do que o paciente pode ter, de modo que o médico possa olhar o doente, gastar menos de seis minutos para avaliar a gravidade da situação e dizer qual o procedimento que deve ser tomado – comentou.

Na Europa e nos Estados Unidos, continuou Jesuíno Ramos, o médico que trabalha em emergência é obrigado a provar que tem habilidade neste tipo de atendimento e nos procedimentos a serem realizados. No Brasil, infelizmente, não temos uma sociedade médica de emergência e os profissionais aprendem emergência fazendo o atendimento nos próprios hospitais.

- Antigamente, quando ocorria um acidente, as pessoas morriam na rua por falta de assistência adequada. Hoje, com o excelente trabalho desenvolvido pelo Corpo de Bombeiros, que é um dos melhores do mundo, doentes gravíssimos estão chegando vivos nos hospitais de emergência do Estado. Porém, o médico que está na emergência nem sempre está preparado para atender esse paciente – observou.

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