Associação Médica em Revista
  Artigo Científico

Insônia: Prevalência e fatores de risco relacionados em uma população de idosos
Pesquisador: Renata Maria Brito de Sá, Orientador: Luciana Branco Motta, Programa Residência Médica Geriatria e Gerontologia, Hospital Universitário Pedro Ernesto - UERJ

RESUMO

Insônia é um problema comum em todos os estágios da vida, mas é particularmente importante após os 65 anos de idade. É definida como uma dificuldade para iniciar o sono ou para se manter dormindo. Os distúrbios do sono nos idosos são comuns e multifatoriais. Vários fatores, incluindo idade avançada, influências psicossociais, doenças clínicas e psiquiátricas e uso de medicações podem estar associados com insônia. Apesar disso, os fatores de risco envolvidos no desenvolvimento de insônia não têm sido completamente identificados.

O objetivo deste trabalho foi verificar a prevalência de insônia e dos fatores de risco relacionados a esta queixa nos idosos acolhidos no ambulatório de geriatria do NAI (Núcleo de Atenção ao Idoso) da UERJ, em 2005, com 60 anos ou mais, de ambos os sexos. Eles foram divididos em dois grupos: pacientes com queixa de insônia (grupo 1) e pacientes sem queixa de insônia (grupo 2). Foram analisadas, nos dois grupos, as seguintes variáveis: sexo, idade, estado civil, diagnósticos pré-estabelecidos de acordo com a Classificação Internacional de Doenças (CID-10) e medicações de uso regular. Foram investigados os seguintes fatores de risco: depressão maior, demência, incontinência urinária, prostatismo, doença pulmonar obstrutiva crônica, insuficiência cardíaca, doença vascular periférica, úlceras gástrica ou duodenal, diabetes melitus, hipertireoidismo, osteoartrose, osteoporose, dor crônica, doença do refluxo gástrico esofágico e obesidade.

A associação da queixa de insônia com os fatores de risco foi realizada através do teste do Quiquadrado (X2). Os pacientes do grupo 1 foram entrevistados individualmente, para avaliação do padrão e da qualidade do sono. Após a entrevista, receberam orientações sobre higiene do sono. Dos 116 pacientes inseridos no NAI, 11 não participaram da pesquisa (2 óbitos e 9 sem comunicação), ficando nossa população com um total de 105 idosos. Destes, 72,38% eram do sexo feminino e a idade média foi de 73,2 anos. A prevalência de insônia foi 32,38% (34 idosos).

Entre os pacientes com insônia, 97,06% convivem com esse problema há mais de 6 meses (insônia crônica), 79,41% deles relataram insônia inicial e 64,71% intermediária e final. O tempo total de sono foi em média de 4,07 horas por noite. Mais da metade dos insones (61,76%) relataram cochilos diurnos, que duravam em média 0,8 horas. A queixa de cansaço diurno intenso atingiu cerca de 85% dos pacientes com insônia. Usam algum tipo de ansiolítico 55,88% e, entre os que não fazem uso desse tipo de medicação, 46,67% já usou em algum outro momento. Houve uma prevalência maior de insônia no sexo feminino (79,41%). Dos 34 idosos com insônia, 3 são fumantes (8,82%), 7 consomem mais de três xícaras de café por dia (20,59%) e nenhum deles tem o hábito de consumir algum tipo de bebida alcoólica para melhorar o padrão do sono.

Depressão, ansiedade, incontinência urinária e prostatismo, osteoartrose, doença vascular periférica, demência, osteoporose, DPOC, dor crônica e DRGE foram os fatores de risco relacionados à queixa de insônia com significância estatística (p < 0,05). Não houve diferença estatística entre os dois grupos em relação a úlceras gástricas e duodenais, diabetes, obesidade e ICC. O caráter multifatorial da insônia pôde ser demonstrado de acordo com a média de fatores de riscos apresentado por cada grupo. O grupo de pacientes com insônia apresentou, em média, 5,56 fatores de risco, e o grupo sem insônia apenas 1,86 fatores de risco. A privação do sono interfere de maneira negativa na qualidade de vida. A alta prevalência de insônia e seu caráter multifatorial, fazem com que a busca ativa desta queixa e sua correta avaliação seja passo fundamental na avaliação geriátrica.

Palavras-chave: insônia, idosos, fatores de risco

JUSTIFICATIVA
- Envelhecimento populacional
- Alta prevalência de insônia
- Fatores de risco não são completamente
identificados
- Diferenciar normal do patológico
- Interferência qualidade de vida

INSÔNIA
Dificuldade para iniciar o sono ou para se manter dormindo, onde pode haver uma diminuição total ou parcial da quantidade e/ou da qualidade do sono.

- Inicial
- Intermediária
- Final
- Transitória (< 1 mês)
- Curta duração (1–6 meses)
- Crônica (> 6 meses)

CONSEQUÊNCIAS
- Risco de doenças psiquiátricas
- Fadiga, irritabilidade, sonolência diurna
- Diminuição da energia, concentração e
memória
- Afeta a vida social
- Polifarmácia e uso crônico de
benzodiazepínicos
- Implicações econômicas
- Diminuição da produtividade
- Acidentes e quedas

OBJETIVOS
Verificar a prevalência de insônia e dos fatores de risco relacionados a esta queixa em uma população de idosos atendidos num ambulatório de geriatria.

MATERIAIS E MÉTODOS
Exigências éticas e científicas da resolução 196/96 do CNS e aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa/UERJ (parecer COEP 061/2006).

FATORES DE RISCO
- Depressão Maior
- Transtorno da Ansiedade
- Demência
- Incontinência Urinária
- Prostatismo
- DPOC
- Insuficiência Cardíaca
- Diabetes
- Doença Vascular Periférica
- Osteoartrose
- Osteoporose
- Dor crônica
- DRGE
- Hipertireoidismo
- Úlceras Gastroduodenais

MATERIAIS E MÉTODOS
Variáveis: Sexo, idade, medicações de uso regular
Análise estatística dos Fatores de Risco:
- Teste QuiQuadrado
- Nível de significância: p < 0,05

topo
Rua Jornalista Orlando Dantas, 58 - Botafogo - Rio de Janeiro - RJ - Telefax: (21) 3907-6200