Movimento
pelo reajuste da bolsa-auxílio - Breve histórico
Bruno Morisson, Residente de Cirurgia Geral do HGNI/MS,
Presidente da AMERERJ e Secretário de Comunicação
da ANMR
As Associações Nacional de Médicos
Residentes (ANMR) e de Médicos Residentes do Estado
do Rio de Janeiro (AMERERJ) vêm, desde abril 2005,
lutando por melhores condições na residência
médica. Entre nossas metas, as principais são
o aumento da bolsa de residência; o fim da cobrança
do INSS; a valorização da preceptoria, com
criação da carreira de preceptor; e a fiscalização
da carga horária dos residentes para uma melhor formação
dos nossos jovens médicos.
No
ano passado, fizemos uma manifestação, com
o apoio dos CRMs e Sindicatos de caráter nacional,
que foi importante na mobilização dos residentes
de todo país. Em seguida, com a realização
do Congresso Nacional de Residentes, que ocorreu no Rio
de Janeiro, organizamos como seria a estratégia para
conseguir nosso aumento. Protocolamos uma proposta de alteração
da Lei 80.281, em setembro de 2005, sugerindo um aumento
na porcentagem referente à nossa bolsa de 53,7%,
calculado pelo IGPM do período de 2001 a 2005.
Conseguimos
o apoio de vários deputados e senadores, aguardando
que o projeto fosse enviado pelo Ministério da Educação
e da Saúde para que pudesse ser votado em caráter
de urgência e sancionado pelo presidente. Tivemos
reuniões com o Vice-Presidente da República
José Alencar e, claro, com os Ministros da Educação
e da Saúde, que garantiram que o aumento sairia em
12 de junho de 2006, em Brasília, numa reunião
com a diretoria da AMERERJ e da ANMR. Porém, o acordo
não foi cumprido e, após uma reunião
da diretoria com a ANMR, resolvemos decretar uma paralisação
com um ato público em 24 de agosto, seguida de novas
reuniões para negociar nosso aumento.
Em
setembro, ocorreu o nosso Congresso Nacional e, lá,
foi resolvido em assembléia que a melhor posição
do momento seria uma greve por tempo indeterminado, visando
uma maior pressão política nas autoridades
e o encaminhamento para votação de nosso projeto
de lei ou de uma medida provisória para que fosse
garantido o reajuste para primeiro de janeiro de 2007. Com
isso, após uma assembléia em 31 de outubro,
realizada no Hospital Municipal Souza Aguiar, com a participação
de mais de 300 residentes do Estado, foi decretada a greve
a partir de 1º de novembro até que nosso projeto
de lei e nossas reivindicações tivessem um
desfecho satisfatório aos residentes.
Fizemos
manifestações nas ruas do Centro do Rio de
Janeiro, esclarecendo à população o
papel da residência médica na formação
de um médico mais qualificado e mostrando a importância
desse profissional no atendimento da população.
Outras
assembléias e manifestações foram feitas
com esse intuito em vários hospitais, como no Hospital
dos Servidores do Estado, que lotou o auditório principal
com a presença de mais de 700 residentes mostrando
a união do grupo em nosso Estado.
Assim,
conseguimos sensibilizar as autoridades e, em 8 de novembro,
após uma semana de greve, nosso projeto foi encaminhado
à Casa Civil com o objetivo de chegar à Câmara
dos Deputados para ser votado em caráter de urgência.
Porém, somente com a presença “in loco”
dos nossos representantes (Comando Nacional de Greve), composto
por representantes de vários Estados, inclusive do
Rio de Janeiro - Bruno Morisson, Marcelo Mallet e Gustavo
Motta - é que conseguimos que, em 17 de novembro,
o projeto de lei chegasse ao Congresso.
Novas
viagens foram feitas para pedir apoio aos parlamentares,
culminando com a apreciação, votação
do caráter de urgência, do mérito e
encaminhamento ao Senado em tempo recorde (24 horas), em
22 de novembro, seguida da sanção do Presidente
da República.
Mas,
a luta não termina por aí, novas reuniões
estão marcadas com as autoridades para que os outros
tópicos listados acima, e que fazem parte do projeto
de lei, sejam postos em prática, como o fim da cobrança
do INSS e a melhoria das condições de trabalho.
Gostaria
de agradecer ao CREMERJ, à SOMERJ, ao SinMed-RJ,
as chefias de serviço e preceptores que apoiaram
o movimento e, principalmente, aos grandes responsáveis
por essa vitória: os médicos residentes.
A
luta continua.