Associação Médica em Revista
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CREMERJ empossa nova diretoria

A nova diretoria do CREMERJ, presidida pela Conselheira Márcia Rosa de Araújo, tomou posse no dia 2 de fevereiro, para a gestão fevereiro/2007 a setembro/2008. Carlindo Machado e Silva Filho, Presidente da SOMERJ e também Conselheiro do CREMERJ, foi empossado no cargo de vice-corregedor.

Márcia Rosa de Araújo, conduzida ao cargo de Presidente pela segunda vez, ressaltou que hoje se vive um momento de mudanças e grandes expectativas com o resultado das eleições de 2006. O retardo na aprovação da regulamentação da Emenda 29 traz grandes problemas de financiamento da saúde nos três níveis de Governo. Apesar do melhor relacionamento com os atuais gestores da saúde, a crise na rede pública se agrava e coloca em xeque a atuação dos médicos do ponto de vista técnico e ético-profissional.

- Contribuímos com propostas em todos os níveis de atendimento, seja na emergência ou na atenção primária. Apoiamos e apoiaremos todas as iniciativas que visem à criação de uma Central de Regulação da rede coordenada pelo Estado, ao estímulo e investimentos na atenção básica e, principalmente, na efetiva implantação do Programa de Saúde da Família em todos os municípios do nosso Estado. É de tal importância este programa, que criamos a Câmara Técnica de Medicina de Família e Comunidade que nos municiará de informações, decisões e estratégias que contribuirão para o sucesso do Programa. A questão da Saúde Pública sempre fez parte da atuação política da Causa Médica no CREMERJ – enfatizou.

Cabe aqui, acrescentou a Conselheira, pontuar a participação e a pressão do CREMERJ para a decisão de ser decretada a calamidade pública no município do Rio de Janeiro em 2005. Nesse sentido, foi fundamental a parceria com o Ministério Público. Hoje, podemos ter uma avaliação mais concreta, de modo que a requisição dos Hospitais da Lagoa, Andaraí, Cardoso Fontes e Ipanema já mostrou melhorias em suas estruturas com a recuperação de setores desativados nessas unidades.

- Isto é um ponto, mas não evita hoje a evasão dos médicos nas unidades públicas do Estado. O que vemos é uma situação salarial do médico inviável, obstando a sua fixação na rede. Sabemos que o SUS é o maior mercado de trabalho para os médicos, principalmente para os recém-formados. O Plano de Cargos e Salários para os médicos é fundamental, mas a questão salarial é emergencial. Vivemos uma situação inusitada, quando médicos concursados não assumem ou abandonam o cargo nos primeiros dias de plantão. Outros, que passaram para o Hospital Geral de Bonsucesso, não puderam assumir na emergência por não terem o título de especialista ou área de atuação de emergencista – ressaltou.

Na área materno-infantil, continuou Márcia Rosa, em todo o Estado, a situação é grave. Na Zona Oeste, principalmente, a falta de recursos humanos, de atenção pré-natal de qualidade, aliada aos baixos salários, são constatações que levam ao noticiário tragédias pelos médicos anunciadas.

- Para enfrentar esses desafios, incrementaremos parcerias com as entidades médicas nacionais como o CFM, AMB, FENAM, a Academia Nacional de Medicina, assim como a SOMERJ, as sociedades de especialidades, Academia de Medicina do Rio de Janeiro, Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, AMERERJ e sindicatos, principalmente aqueles que têm uma postura democrática e de respeito em relação aos seus filiados - comentou.

As mesmas alianças, acrescentou a Presidente, serão necessárias para que seja aprovado o Projeto de Lei que regulamenta a profissão médica, no sentido de garantir as prerrogativas dos médicos em prol da qualidade do atendimento aos cidadãos.

- Na área de convênios, temos implementado, e assim continuaremos, uma política de negociação permanente com as operadoras de planos de saúde. Com a Resolução Normativa nº 71 da ANS, conquistamos a contratualização dos médicos com as empresas, garantindo o reajuste anual dos honorários ajustados entre as partes, com a participação do CREMERJ, SOMERJ, Central Médica de Convênios, Sociedades de Especialidades e SMCRJ. Apesar da expressiva melhora de relacionamento com a ANS, ainda há muitos desafios a serem enfrentados frente às operadoras. A implantação da CBHPM é uma meta a ser alcançada permanentemente seja apoiando a aprovação do Projeto de Lei 3466/2004, em tramitação no Congresso – observou.

Na questão do ensino médico, Márcia Rosa ressaltou que é grave o panorama em que hoje há 161 escolas médicas, aprovadas pelo MEC, que têm privilegiado interesses subalternos e do lucro fácil em detrimento da população, a quem serão oferecidos profissionais de formação inadequada.

- Tais profissionais serão alvo fácil para a chamada “indústria do erro médico”, desqualificando a Medicina e colocando em risco a sociedade - avaliou.

Para todos os médicos, continuou a Presidente, ampliaremos os cursos de Educação Médica Continuada, todos gratuitos. Com a inauguração do novo auditório do CREMERJ, adquirido nesta gestão que se encerra, com o patrocínio do Conselho Federal de Medicina, teremos ainda mais condições de fortalecer este projeto.

- O movimento Causa Médica, já adolescente, continuará perseguindo os anseios dos médicos, integrando-os cada vez mais em direção do nosso objetivo maior que é uma saúde digna e de qualidade à população - finalizou.

A nova diretoria do CREMERJ ainda é composta pelos médicos Renato Graça (1º Vice-Presidente), Sidnei Ferreira (2º Presidente), Sergio Albieri (Secretário-Geral), Pablo Vazquez Queimadelos (1º Secretário), Kássie Cargnin (2ª Secretária), Luis Fernando Soares Moraes (Tesoureiro), Arnaldo Pineschi (1º Tesoureiro), Marília de Abreu Silva (Corregedora), Carlindo Machado e Silva Filho (Vice-Corregedor) e Alkamir Issa (Diretor de Sedes e Representações).

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