Uma história construída pela união dos médicos do estado do Rio de Janeiro
A história da SOMERJ começa antes de seu nome existir.
No início da década de 1980, as entidades médicas do Estado do Rio de Janeiro viviam um momento de mobilização em torno de uma questão fundamental: a construção de uma representação estadual única, legítima e capaz de reunir os médicos fluminenses em torno de seus interesses profissionais e institucionais.
Em junho de 1983, a Associação Médica da Região dos Lagos, presidida por Agenos Oliveira, e a Sociedade de Medicina e Cirurgia de Três Rios, presidida por Luis Antonio Ribeiro Grillo, desligaram-se da AMF e filiaram-se à SMCRJ. O movimento de aproximação entre as entidades regionais ganhava força e apontava para a necessidade de uma representação que ultrapassasse os limites de cada região.
O caminho para uma entidade estadual
Em 19 de maio de 1984, a Associação Médica da Região dos Lagos sediou, em Cabo Frio, o I Encontro dos Médicos do Estado do Rio de Janeiro.
Reunidos para discutir a representação da categoria, os médicos presentes aprovaram por unanimidade a proposta de criação de uma entidade única, de âmbito estadual, federada à Associação Médica Brasileira (AMB).
Daquele encontro nasceu a Carta de Cabo Frio, documento que registrou o compromisso das entidades participantes com a unificação da representação dos médicos fluminenses e estabeleceu os primeiros passos para a criação da nova instituição.
A proposta avançou no II Encontro dos Médicos do Estado do Rio de Janeiro, realizado em Petrópolis, em 1º de setembro de 1984. Na ocasião, foi aprovado o anteprojeto dos estatutos e constituído um colegiado responsável pela condução da nova entidade até a realização das eleições.
Era o início formal da construção da SOMERJ.
1985: nasce oficialmente a SOMERJ
Em 4 de maio de 1985, durante o V Encontro dos Médicos do Estado do Rio de Janeiro, realizado na Associação Médica da Região dos Lagos, foi oficializado o nome SOMERJ — Sociedade de Medicina do Estado do Rio de Janeiro e aprovado o estatuto da nova entidade.
Ainda naquele ano, a Assembleia de Delegados da AMB, realizada no Rio de Janeiro, homologou a SOMERJ como sua única federada no Estado.
Em 22 de agosto de 1985, foi eleita, pelo voto direto dos médicos do Estado, a primeira Diretoria da SOMERJ, presidida por Irapoan Pimenta, cuja posse ocorreu na sede da Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro.
A criação da SOMERJ foi resultado de um processo coletivo. Diferentes sociedades e associações médicas participaram de sua construção, traduzindo uma compreensão que permanece essencial à instituição: a força da representação médica está na capacidade de unir diferentes regiões, experiências e perspectivas em torno de objetivos comuns.
Entre os médicos que tiveram participação decisiva nesse processo de construção estiveram Mario Jorge Rosa de Noronha, Paulo Medeiros Noronha Pessoa, Irapoan Pimenta e Osmane Sobral Resende, além dos dirigentes das diversas entidades que participaram dos encontros e das articulações que deram origem à nova instituição.
Uma instituição nascida em um momento de transformação
A SOMERJ nasceu em um período particularmente importante da história brasileira.
A redemocratização do país mobilizava a sociedade. O movimento pelas Diretas Já expressava a reivindicação por participação e liberdade política, enquanto o país caminhava para a reconstrução de suas instituições democráticas.
Nesse ambiente, os médicos fluminenses também se mobilizavam pela democratização de suas entidades representativas e pela construção de novos espaços de participação.
A SOMERJ surgiu, portanto, marcada por uma ideia que permanece atual: representar é participar, dialogar, defender a profissão e contribuir para a construção das instituições.
De uma ideia coletiva a uma representação consolidada
Desde sua criação, a SOMERJ passou a ocupar um espaço próprio na representação da classe médica do Estado do Rio de Janeiro, atuando na defesa dos médicos, na valorização da medicina e no fortalecimento do associativismo médico.
Ao longo de sua trajetória, a entidade consolidou sua atuação como espaço de representação, interlocução, integração e participação, reunindo sociedades médicas e médicos de diferentes regiões e especialidades.
Essa trajetória também se relaciona com momentos importantes da medicina brasileira e da vida institucional do país, incluindo o processo de redemocratização e a Assembleia Nacional Constituinte.
Mais do que preservar uma memória, essa história ajuda a compreender a identidade da SOMERJ: uma entidade que nasceu da união de diferentes instituições e que tem, em sua origem, a defesa da representação médica, do associativismo e da participação institucional.
Uma história que continua sendo construída
Mais de quatro décadas depois de sua criação, os desafios da medicina são diferentes daqueles que mobilizaram os médicos fluminenses na década de 1980. A profissão mudou, a sociedade mudou, o sistema de saúde mudou e novas gerações de médicos passaram a ocupar os espaços de representação.
Mas permanece a necessidade que deu origem à SOMERJ: unir, representar, dialogar e participar.
É nessa perspectiva que a SOMERJ olha para o futuro.
Uma instituição só preserva sua história quando consegue transformá-la em referência para os próximos passos. Por isso, conhecer a trajetória da SOMERJ é também compreender o compromisso que orienta sua atuação no presente: fortalecer a medicina, aproximar os médicos e suas entidades e contribuir para uma representação cada vez mais participativa, plural e atuante.
A história da SOMERJ começou com a união de médicos e entidades que acreditaram que, juntos, poderiam construir uma representação estadual.
E essa é uma construção contínua, participativa e ativa .